Publicidade sem rótulos

Thais Pereira

(Crédito: Reprodução/Think Eva)

Estereótipos: no dicionário “comportamento desprovido de originalidade que, faltando adequação à situação presente, se caracteriza pela repetição automática de um modelo anterior, anônimo e impessoal”, para a psicologia social “crenças sobre características pessoais que atribuímos a indivíduos ou grupos”.


Famílias tradicionais felizes em comercial de margarina, mulheres de biquíni servindo cerveja, pessoas brancas se formando, esses são alguns estereótipos comuns usados nas campanhas publicitárias brasileiras. Estereótipos estes, que por muito tempo funcionaram e deram resultado, mas que em pleno século 21, com essa nova geração e a mudança no comportamento do consumidor estão fazendo as empresas reverem as atitudes no mundo dos negócios e revolucionar a comunicação de marcas e produtos.


O comportamento do consumidor não é mais passivo aos que tentam vender. Antes as marcas criaram comunicação e gatilhos de compras para persuadir o consumidor à compra. Hoje a internet inovou a forma de compras do consumidor, que por sua vez pode ir atrás exatamente do que está precisando sem nenhum esforço e mais, pela a internet ele tem acesso a um vasto acervo de conhecimento e consegue expressar o que acha certo e errado, inclusive questionar as campanhas. E como consequências a comunicação de marcas vêm sendo questionadas pelo uso e reforço de estereótipos em suas campanhas publicitárias.


Em 2016, quase 64% dos processos instaurados pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) foram motivados por consumidores, uma década atrás essas taxas eram de 27%. Na questão de gênero, o público se mostra empenhado. Dos 15 casos julgados por machismo pelo órgão em 2016, 14 foram resultados de reclamações dos consumidores.


Os estereótipos são os principais empecilhos para agilizar o processo de igualdade e representatividade. E as campanhas de Marketing são responsáveis por boa parte desse processo. Um estudo feito pela Oldiversity ouviu aproximadamente 2.000 brasileiros e 51% das pessoas gostariam de ver mais propagandas com elementos de diversidade. O novo consumidor não se intimida e não aceita uma comunicação preconceituosa, machista ou que rotule.


Muitas vezes esses discursos estereotipados estão implícitos, ainda que de forma inconsciente na maioria das propaganda e do Marketing de inúmeras empresas, incluindo as gigantes.

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